sexta-feira, 15 de maio de 2009

                                                                       O POETA

 A vida do poeta tem um ritmo diferente

 É um contínuo de dor angustiante.

 O poeta é o destinado do sofrimento

 Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza

 E a sua alma é uma parcela do infinito distante

 O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.

 Ele é o eterno errante dos caminhos

 Que vai, pisando a terra e olhando o céu

 Preso pelos extremos intangíveis

 Clareando como um raio de sol a paisagem da vida.

 O poeta tem o coração claro das aves

 E a sensibilidade das crianças.

 O poeta chora.

 Chora de manso, com lágrimas doces, com lágrimas tristes

 Olhando o espaço imenso da sua alma.

 O poeta sorri.

 Sorri à vida e à amizade 

 Sorri com a sua mocidade a todas as mulheres que passam.

 O poeta é bom.

 Ele ama as mulheres castas e as mulheres impuras

 Sua alma as compreende na luz e na lama

 Ele é cheio de amor para as coisas da vida 

 E é cheio de respeito para as coisas da morte.

 O poeta não teme a morte.

 Seu espírito penetra a sua visão silenciosa

 E a sua alma de artista possui-a cheia de um novo mistério.

 A sua poesia é a razão da sua existência 

 Ela o faz puro e grande e nobre 

 E o consola da dor e o consola da angústia.

 A vida do poeta tem um ritmo diferente 

 Ela o conduz errante pelos caminhos, pisando a terra e olhando

 o céu

 Preso, eternamente preso pelos extremos intangíveis.

                

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